
rascunho fotográfico
18 janeiro, 2011Sabe o que é engraçado? Sempre gostei de tirar fotos, mas tenho nervoso de ver fotos minhas antigas.
Por mais montada e forçada que seja a foto, ela representa um instantâneo. Um flash, uma piscada de olhos, um segundo, e está lá, marcado, gravado, fotografado. E aquilo ali nunca mais vai voltar a ser. Aqueles carros na 5ª Avenida nunca mais passarão daquele jeito, as ondas do Leblon nunca mais baterão daquela forma, a flor no seu quintal nunca mais estará daquele jeito. Não é por isso que tiramos fotos? Para guardar uma coisa fugidia, que no segundo depois pode não ser mais?
Coração de gente é parecido com filme de fotografia: um segundo de exposição e uma marca que pode durar décadas.
Aí não sei se é bom ou não termos entrado na era das câmeras digitais…
É uma droga, porque nelas você pode alterar a coisa toda depois que a foto já foi tirada, o que vai contra todo o propósito da fotografia.
Câmera digital é um retorno à pintura tradicional.
Sempre gostei de encarar as fotografias como lembranças. Guardo algumas pra me lembrar de como era ou como foi, outras para lembrar de como poderia ser e o que devo mudar.
Eu gosto de guardar.
tento ignorá-las: me sinto velho sempre que vejo fotos – você não?
Certa vez, numa comédia romântica bem clichê, eu ouvi dizer que um álbum de retrato nos deixa a marca dos momentos mais felizes, aqueles que acreditamos valer a pena congelar. Mas a vida realmente acontece nos dias que nos levam de uma fotografia a outra.
Deveríamos querer guardar em folhas de papel todos os momentos (inclusive os que achamos que não vale a pena)? Ou deixar a memória fazer, sozinha, o serviço de seleção dos momentos mais importantes das nossas vidas?
Love ya.