Posts de maio \07\UTC 2011

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um dia

7 maio, 2011

Eles se encontraram naquela fase em que planos são mais sonhos do que planejamentos, e quando tudo é possível e nada é inalcançável. Mas o tempo passou e os dois, que eram tão iguais, ficaram cada vez mais diferentes. Ele queria uma carreira, uma família, uma casa. Ela queria viajar o mundo, um passaporte carimbado, a vida toda dentro de uma mala de cinco quilos ou menos.

Ela foi; ele ficou. Os e-mails diários viraram postais semanais. Os postais viraram cartas mensais. As cartas se transformaram em telefonemas cada vez mais esporádicos. Um dia, ela ligou para agradecer o convite de casamento que vira em sua caixa postal, com quatro semanas de atraso. Um dia, ele recebeu em casa uma bela caixa despachada do outro lado do mundo com um grande álbum de fotografias, presente para a nova família.

Um dia, a vida passou.

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saudades dos tempos simples

4 maio, 2011

Outro dia, eu disse: saudade dos tempos simples, quando a pior dor era um joelho ralado e o maior medo era do escuro.

Veja bem, eu era uma menina travessa, do tipo que corria e brincava com os meninos mesmo sendo uns dez centímetros mais baixa do que eles – obviamente, eu já tinha problemas com limites pessoais desde então. Por isso, não tinha semana que não voltasse da escola com um joelho, cotovelo ou perna pintados de mercúrio. Eu detestava mertiolate – que naquela época ardia horrores – e, convenhamos, andar por aí com o machucado pintado de vermelho tinha uma aura quase de ferimento de guerra. Ser pequena tinha suas vantagens – como os melhores e mais improváveis esconderijos no pique-esconde – mas também tinha suas desvantagens – aparentemente, e contrariando cálculos físicos, quando mais leve você é, mais difícil é parar de rolar ladeira abaixo.

Com certeza eram tempos mais simples do que os atuais, e a frase lá de cima poderia ser completada com mais uma pá de diferentes coisas. Como, por exemplo: quando as maiores contas eram as da prova de matemática.

Nos últimos tempos, tenho pensado bastante nessa coisa toda de crescer. Bom, eu já parei de crescer há alguns anos, mas… Não é como se eu pudesse usar, aos 22 anos, o verbo envelhecer impunemente (embora as marquinhas embaixo dos olhos não parem de marcar território). Então, sim, crescer. Lidar com as coisas de gente grande, como prazos, chefe, orientador, documentos, decisões.

Porque acho que a coisa mais marcante nessa vida de gente grande é tomar decisões – e arcar com as conseqüências de cada uma delas. Escolher implica em deixar de lado todas as alternativas, e ao mesmo tempo significa marcar um caminho como seu.

Os tempos simples também eram tempos de menos escolhas – e, por isso mesmo, de menos possibilidades.

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