Não escrevemos para o futuro: eis o grande efeito da revolução tecnológica dos meios de comunicação.
Trocamos mensagens corridas, por e-mail, msn ou mesmo celular, e perdemos cada vez mais a capacidade de escrever cartas. O gênero epistolar, antes tão útil para aqueles que dele se utilizavam para saber notícias, torna-se uma raridade. Rebemos extratos, boletos de pagamento, promoções… Mas quando de nós recebem cartas? E quantos de nós as escrevem à mão, deixando o grafite ou a tinta riscar o papel?
Um professor disse uma vez, falando dessa nossa vida cada mais mais on line, que o Twitter nos faria retroceder ao uga-uga. Exageros à parte, devo dar-lhe razão. Porque eu mesma me vejo a cada dia mais como parte desse mundo. Basta ver a freqüência das atualizações no meu próprio Twitter.
Escrevo essas palavras embalada por uma carta. Uma carta de 740 anos, aproximadamente. Nela, um pai zeloso tenta transmitir ensinamentos a seu filho mais velho. Certamente não é um pai qualquer, assim como não é qualquer filho. Estão ambos inscritos na genealogia dinástica de um dos reinos mais imponentes que a Europa viu.
Estou sentada na mesa da minha sala com um pequeno livro, cujo organizador levou anos tentando reconstituir essa carta. Trinta e três pequenos parágrafos que sobreviveram a incêndios e revoluções, e que hoje leio na tentativa de saber mais sobre seu autor, sobre sua época, sobre seu mundo.
E, inconseqüentemente, me pergunto: o que lerão os historiadores daqui a 740 anos?
O que deixamos para o futuro?
