Posts com Tag ‘Escritos Gerais’

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Lá e de volta outra vez

18 janeiro, 2010

Acho que a nostalgia é inevitável. E fundamental para o crescimento do ser humano. Sem a nostalgia, sem sentirmos falta de algo que se passou, qual seria a grande vitória em seguir em frente?

Ao longo do tempo, desenvolvi uma teoria – que sem dúvida ainda precisa de desenvolvimento e revisão, mas ainda assim é uma teoria e é minha. E é a seguinte:

A nostalgia é uma decorrência do fato de que o passado é conhecido e, como tal, seguro. O presente é repleto de dúvidas, o futuro é um conjunto de possibilidades. Mas o passado… Trazemos o passado em nós mesmos e, por isso, ele é reconfortante. O passado é o lugar do certo, do imutável, do constante.

O problema é que não posso fingir que quatro anos de faculdade não me influenciaram, e aí vem o pulo do gato: o passado não é imutável. Cada vez que você o visita, você o recria, redesenha. É assim que o passado, progressivamente, vai ficando mais alegre, mais colorido e mais vivo. Porque você tira a poeira, apaga os erros, reforça os acertos.

Faz muito tempo, eu decidi que viveria no presente. Não sou tão boa em recriar meu passado, que parecia ficar cada vez mais soturno conforme eu o visitava. Decidi que era melhor deixá-lo como tal: para trás. E aprendi a ver as pequenas belezas do hoje, a poesia do agora.

Paradoxalmente, isso me fez perceber que o passado, o meu passado, não é o lugar obscuro que coloquei. Claro, meus erros estão lá, mais gritantes agora do que nunca. Mas também vejo meus acertos. Depois de viver no hoje, consigo olhar o ontem com muito mais confiança em mim mesma. Confiança no que faz o que sou hoje. Fiz as pazes com meu passado.

Mas, ainda assim, continuo preferindo a nostalgia do não-vivido.

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Vivendo Intensamente os Dias Atuais

10 fevereiro, 2009

Sair para comer. E para beber. Talvez dançar. Conversar até tarde, muito tarde. Talvez virar a noite. Ouvir música no mp3 player – ou tirar onda de ter um iPod. Mandar mensagem de texto pelo celular. Entrar na internet. Passar horas fazendo pesquisas. Ou só ficando de bobeira no MSN – e reclamar quando não tem ninguém de bobeira no MSN com você. Partir para o Orkut, fuxicar a vida dos outros. Reclamar quando alguém usa um fake para fuxicar a sua vida

Ler livros bons. E ruins também – para saber diferenciá-los. Ou para se divertir mesmo. Ver séries novas. Ver exaustivamente séries antigas. Comer pipoca. E outras besteiras recém-inventadas. Fazer receitas ruins e queimar as pontas dos dedos. Lambuzar-se de brigadeiro. E picolé de limão. Escrever. Escrever até cansar – você e os outros. Escrever aventura, fantasia, drama, humor, aventura…

Fazer amigos. Dos mais variados. E apaixonar-se. Pelo menos uma vez. E todos os dias.

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random

8 fevereiro, 2009

Um dia, ainda crio coragem, estufo o peito e digo com todas as minhas forças:

Manhê, quando eu crescer, vou ser escritora.

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generation

15 outubro, 2008

Não sei como seria o retrato da nossa geração. Pronto, falei.

O que eu sei é que somos uma geração cindida. E, muito pior do que a América da Guerra do Vietnã, não nos dividimos apenas em pacifistas e pró-guerra. Somos inúmeros, e ainda assim temos algumas coisas em comum. Nascemos em um mundo diferente. Quando nasci, o Muro de Berlin ainda era uma realidade, os telefones públicos usavam fichas e computadores realmente potentes ocupavam uma sala. O ápice do mundo dos videogames era o Atari e a seleção de futebol usava um short minúsculo que, aposto, deixa muitos ex-jogadores embaraçados.

A nossa geração não é uma geração on the road. Kerouac que me perdoe, mas prefiro o conforto da minha cama e a possibilidade de apertar um botão e receber notícias da China. Nossa geração é, sem dúvida, uma geração on the web.

O que isso significa em termos práticos, não sei. Talvez signifique que não tenhamos valores a defender. Talvez signifique que queremos defender valores, embora não saibamos muito bem quais são. Talvez signifique que uma campanha para eleição de prefeito possa ter uma contribuição efetiva de jovens que se mobilizaram e usaram os MSN e Orkut da vida para fazer uma declaração. Talvez signifique que não sabemos muito bem quem somos.

Lembro-me de uma vez ouvir um amigo dizendo que sofríamos de um mal inominável. Chegávamos aos vinte anos cursando uma universidade, com um estágio ou um emprego relativamente bom, com acesso à internet, televisão, dvd player e mais uma centena de comodidades. E ainda assim sentimos a falta de algo. Se te tranqüiliza, meu caro amigo, não acho que Kerouac soubesse mais do que nós o que buscava.

Dores de cabeça, fotos, brincadeiras, desilusões amorosas, crise da Bolsa, best sellers explodindo a torto e a direito, indecisão, crise de vocações, sonhos, certezas, esperanças…

A vida como ela é. Ou como deveria ser…

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