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No topo do Empire State

10 fevereiro, 2010

Parece existir algo de compulsório em comparar-se Harry Potter e Percy Jackson – o que só foi reforçado quando foi anunciado que Chris Columbus dirigiria a adaptação cinematográfica de O Ladrão de Raios.

Não concordo com comparações absolutas, mas para mim é praticamente impossível não fazer isso. Passei minha adolescência com Harry: li A Pedra Filosoal aos 12 anos e Relíquias da Morte aos 19. Harry Potter marcou uma fase importante da minha vida e me colocou em contato com pessoas sem as quais eu não seria a mesma. Por bem ou por mal, vi como Harry crescia porque eu passava pelo mesmo processo. E esse é o meu primeiro ponto.

Muitos fãs espernearam quando o roteirista do filme comentou algumas modificações feitas alegando que Percy teria o emocional de uma criança de 9 anos. Discordo quanto a isso, pois acho que o personagem é consistente com os 12 anos com os quais começa sua saga. Mas os cinco livros seguem essa consistência e, ao final de O Último Olimpiano [ainda não lançado no Brasil], tive a impressão de que Pércy não envelheceu nada e que, de fato, eu continuava lendo as aventuras de um menino de 12 anos.

Creio que um pouco disso seja decorrência da escolha do autor. Enquanto acompanhamos o cotidiano de Harry em Hogwarts através de todo o ano letivo, suas provas, os treinos de quadribol e tudo que gira em torno disso, só encontramos Percy em suas férias no Acampamento. Li os cinco livros literalmente colados um no outro, e a sensação de que todos os meses do ano não influenciavam o amadurecimento do personagem foi bastante forte. Não que Riordan não tenha seus bons momentos, e vou citar apenas por alto a resolução de A Maldição do Titã

Não estou aqui dizendo que abomino a saga de Percy Jackson e os Olimpiano, mas acho que já estou velha para ele. Acredito que, caso tivesse lido os livros há cinco ou seis anos, teria uma relação bastante diferente com os personagens e com a história como um todo. Mas hoje…

Tudo isso é, sem dúvida, influenciado por minha experiência de ontem. Através de um concurso no OlimpianosRJ, ganhei um convite para a pré-estréia de O Ladrão de Raios. Pensava que, chegando lá, seria acometida por uma empolgação inexplicável e minha timidez crônica desapareceria. Eu estava errada. Pensava que Percy Jackson teria o mesmo efeito em mim que Harry Potter teve algus anos atrás. Esqueci que cresci. O evento foi ótimo, mas sem dúvida comparei com as pré-estréias de Harry Potter as quais fui, e nas quais a excitação antes do filme é incontrolável, e me senti um pouco longe daquilo tudo. Longe das pessoas, longe da farra.

Quando o filme começou, as coisas entraram um pouco nos eixos que eu conhecia. Conforme o filme passava e eu ouvia os comentários desconexos e sempre divertidos, relaxei. E aproveitei a sessão. Mas quando o Olimpo apareceu e alguém gritou “Hogwarts!”, não tive como evitar a volta a Harry Potter. A comparação já tinha sido feita na rede (eis um exemplo), mas foi fatal ouvir no cinema. “É isso aí”, eu pensei, “Hogwarts é sempre um padrão”.

O filme empolga, mas a pré-estréia tem uma grande vantagem em sessões normais: lá, você pode comentar o que vier, na lata, e alguém vai te entender. Não sou defensora de adaptações cinematográficas absolutamente coladas no material original, mas algumas modificações parecem bastante desnecessárias. Não sou crítica de cinema e não tenho pretensões a isso: falo apenas o que senti. Não vou entrar em detalhes, nem em spoilers, mas alguns cortes e algumas mudanças fizeram muita gente (inclusive eu) ficar sem entender o porquê. Não se trata nem de caracterização física dos personagens, embora admita que o Hades de Steve Coogan esteja bem distante do que imagino a partir da descrição dos livros. Digo apenas que o próprio Hades – e sua cena com Perséfone – me deixou bastante incomodada.

Sinto os mesmos problemas em Harry, algumas vezes, mas por mais que não goste de determinado filme, não consigo ver um problema sério que chegue a deturpar os caminhos da trama (quem for ver O Ladrão de Raios tendo lido o livro vai me entender). Mesmo aqueles dirigidos por Chris Columbus.

Veria – e verei – o filme novamente e indico Percy Jackson e os Olimpianos para qualquer um que goste de uma literatura de fantasia inteligente, mas leve e divertida. Mas, que me perdoem os fãs, Harry tem camadas que Percy não consegue me mostrar.

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Zorro

6 janeiro, 2008

Uma das coisas que mais desperta a minha atenção numa estante de livraria é a capa. Mesmo que não conhecesse Bernard Cornwell de Crônicas de Artur, Busca do Graal e Aventuras de Sharpe, a capa prateada maravilhosa de O último reino teria me atraído. Muita gente reclamou da diagramação, da cor de fundo, das imagens escolhidas…. Eu adorei. Mas Cornwell ganha outro post depois. Voltemos às capas.

Em abril ou maio do ano passado (nossa, 2007 já é passado) vi Zorro em uma das minhas visitas semanais à Saraiva. Já conhecia Isabel Allende de A Casa dos Espíritos, mas não sou uma fã compulsiva do gênero capa-e-espada, e deixei para outra hora (confesso que o preço de mais de R$50,00 , àquela altura, também foi um fator decisivo).

 Em julho, na viagem que fiz à Argentina, encontrei uma edição americana por cerca de R$12,00 (o que apenas lembra o como eu sou decepcionada com o preço de livros nesse país). Mais uma vez, a capa foi fundalmental. Vendo agora, acho a capa brasileira muito bonita, mas acho que a americana, com o fundo branco, dá um destaque muito maior ao personagem.

Só agora, no finalzinho de 2007, comecei a ler o livro – que ainda não acabei. A história começa em 1790, antes mesmo de Diego de la Vega nascer: Allende começa a narrativa pelo relato de como os pais do futuro herói mascarado se conhecem. É no encontro entre o mundo místico indígena e as regras da sociedade espanhola que Diego passa sua infância, seguido por seu fiel amigo e irmão de leite, o índio Bernardo.

Da Alta California, os dois viajam para Barcelona, onde os contornos de Zorro começam a se tornar cada vez mais nítidos. Cheio de virtudes, sem dúvida, mas também repleto de defeitos. Talvez esse seja o ponto melhor explorado pela autora (pelo menos até agora): as nuances da personalidade do protagonista, que não deixa de ser um homem humano só porque é um herói. Tudo isso contado por um narrador em primeira pessoa que ainda não se revelou (e já passei da metade do livro).

Não sou uma boa crítica de livros. Ou de filmes. Mesmo sem querer, acabo deixando alguma coisa escapar e estrago alguma surpresa. Por isso, vou parar por aqui. Mas antes vou dizer uma coisa: os cinqüenta reais valem a pena! Allende consegue sempre, de uma forma ou de outra, colocar um tom mágico em sua narrativa, e sempre genialmente.

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