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generation

15 outubro, 2008

Não sei como seria o retrato da nossa geração. Pronto, falei.

O que eu sei é que somos uma geração cindida. E, muito pior do que a América da Guerra do Vietnã, não nos dividimos apenas em pacifistas e pró-guerra. Somos inúmeros, e ainda assim temos algumas coisas em comum. Nascemos em um mundo diferente. Quando nasci, o Muro de Berlin ainda era uma realidade, os telefones públicos usavam fichas e computadores realmente potentes ocupavam uma sala. O ápice do mundo dos videogames era o Atari e a seleção de futebol usava um short minúsculo que, aposto, deixa muitos ex-jogadores embaraçados.

A nossa geração não é uma geração on the road. Kerouac que me perdoe, mas prefiro o conforto da minha cama e a possibilidade de apertar um botão e receber notícias da China. Nossa geração é, sem dúvida, uma geração on the web.

O que isso significa em termos práticos, não sei. Talvez signifique que não tenhamos valores a defender. Talvez signifique que queremos defender valores, embora não saibamos muito bem quais são. Talvez signifique que uma campanha para eleição de prefeito possa ter uma contribuição efetiva de jovens que se mobilizaram e usaram os MSN e Orkut da vida para fazer uma declaração. Talvez signifique que não sabemos muito bem quem somos.

Lembro-me de uma vez ouvir um amigo dizendo que sofríamos de um mal inominável. Chegávamos aos vinte anos cursando uma universidade, com um estágio ou um emprego relativamente bom, com acesso à internet, televisão, dvd player e mais uma centena de comodidades. E ainda assim sentimos a falta de algo. Se te tranqüiliza, meu caro amigo, não acho que Kerouac soubesse mais do que nós o que buscava.

Dores de cabeça, fotos, brincadeiras, desilusões amorosas, crise da Bolsa, best sellers explodindo a torto e a direito, indecisão, crise de vocações, sonhos, certezas, esperanças…

A vida como ela é. Ou como deveria ser…

2 comentários

  1. – falta alguma coisa, sempre.

    exclusividade nossa?

    tenho uma amiga, sexagenária, cujo converso periodicamente. ela costuma dizer que nossa juventude é angustiada; muito mais por causa da nossa nova realidade, onde tudo acontece rápido demais, do que por angústias internas.

    ela me parece uma mulher tão livre…

    beijos e, como sempre, um texto excelente =*


  2. There’s always something worth fighting for. E a vida se baseia em encontrar esse tal de something. Sejam os direitos humanos, um partido, a natureza, a guerra, a maconha, os gays, os nazistas… Ou qualquer outra coisa que simplesmente o complete, e que faça você defendê-la até o fim, como a riqueza, a saúde, ou o amor.
    Muito bom texto, me fez pensar bastante nesse domingo vazio.



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