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this is the night

15 julho, 2011

Não vou dedicar esse texto a sete pessoas, porque com certeza cometeria alguma injustiça.
Dedico aos meus amigos, que vão entender isso melhor do que ninguém;
a minha mãe, que me apresentou a um menino que morava debaixo da escada;
a David Yates, que entendeu uma escola, seus alunos e seus professores magistralmente;
ao Caio, que embarcou na minha loucura;
e a Joanne Rowling, sem quem isso não existiria.

Como você se despede de algo que está há dez anos na sua vida? Com o que você cresceu e se encontrou? Que te abriu portas e indicou caminhos com os quais você antes meramente sonharia? Que te trouxe pessoas maravilhosas, sem as quais sua vida não seria a mesma?

Acho que você não se despede. Não de verdade.

Ontem foi a pré-estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II. Ontem foi uma noite de gritos (mesmo que eu esteja sem voz), de palmas, de risadas. Foi uma noite de lágrimas, muitas lágrimas. Não tenho vergonha de dizer que chorei. Por causa do filme, sim… Mas por causa de algo muito maior. Chorei de pura emoção por um capítulo que termina, mas que nunca vai ser apagado.

Já li tantos textos bonitos que nem sei como me expressar sem pensar neles. Porque eles falam tanto de tudo que eu senti e sinto que é impossível não me identificar com eles.

Eu era uma menina tímida aos 12 anos, quando mergulhei de cabeça nesse mundo. Em 2000, eu passei por desafios para encontrar uma Pedra Filosofal e aprender que para uma mente bem-estruturada, a morte é apenas a próxima aventura; desci ao mais fundo de Hogwarts para abrir uma Câmara Secreta e vi de perto como alguém pode ser manipulado até se perder quase por completo; aprendi que um Prisioneiro de Azkaban pode não ser o vilão, no final das contas e que todos merecem uma segunda chance.

Depois, foi a vez do meu nome ser sorteado por um sinistro Cálice de Fogo e entender que, nos grandes momentos, embora sejamos de países diferentes e falemos línguas diferentes, nossos corações batem como um só. Cheguei ao auge da adolescência, da rebeldia juvenil e quis me juntar à Ordem da Fênix (mas acabei foi fazendo parte de uma certa armada…).

Depois, me intriguei com o Enigma do Príncipe, vi um grande diretor e professor morrer diante dos meus olhos sem poder fazer nada e chorei com o canto de uma fênix que não mais renasceria. E foi difícil aceitar que, tão cedo, eu teria de dar adeus para Hogwarts e, no meio de uma guerra, ainda ter de ouvir um conto infantil para entender as três Relíquias da Morte.

E, durante todos esses anos, aprendi que os amigos podem aparecer de forma inusitada, que professores podem ter muito mais a contar do que parecem ter, que por mais que tentemos entender a morte ela continua a causar saudade. Que os ousados, os fieis e os inteligentes podem defender uma escola, mas que um homem ambicioso pode ser também o mais corajoso que já conheci. Acima de tudo, que aqueles que nós amamos, nunca nos deixam realmente. E nós nunca os deixamos.

Porque Harry Potter não foi uma série de livros e de filmes. Harry Potter foi muito, muito mais do que isso. E as lágrimas… Elas são porque pude compartilhar com alguém tudo isso, e cada uma delas eu dedico a vocês, meus amigos, que sofreram com a antecipação de um lançamento, reclamaram da escalação de um ator, se revoltaram com alguma reviravolta de trama, mas que nunca abandonaram Harry.

A noite de ontem me fez lembrar que encontrar amigos antigos não tem preço, assim como fazer novos. Que Harry Potter nos uniu por um motivo, que a maior parte dos críticos simplesmente não consegue compreender.

E que, por mais que o dia 15 de julho de 2011 seja um marco, tudo não acaba aqui.

3 comentários

  1. Muito lindo Julie, me emocionei mais uma vez e com certeza Harry não acabou, ele vai se manter vivo em nossos corações e tudo o aconteceu pro causa dele vai ser levado para o resto de nossas vidas! Harry Potter é muito mais que um livro, é muito mais que um filme. São os amigos que fizemos ao longo desses anos e as historias que vivemos juntos. It NOT end today.


  2. Julie, o que a magia – seja escrita ou filmada – uniu, ninguém separa. O texto diz tudo, mas as entrelinhas dizem ainda mais. Exatamente como tem que ser🙂 Fico feliz de ter passado por tudo isso, e muito mais em ter passado por tudo isso com todos vocês.

    beijos
    Frini


  3. Acredito que Harry Potter estimula o sonho e, afinal, o que é a vida sem sonhos?
    Já disse Mário Quintana: ” A vida, não basta ser vivida, é preciso, também, ser sonhada.” E, depois, trabalhar para realizar os sonhos; o que você sabe fazer muito bem.

    E pensar que participei do começo de tudo.😉
    Continue sonhando…e vivendo…e sendo feliz!



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